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Hipnose Clínica e a Auto-Hipnose

por Mário Rui Santos

Imagine-se a imaginar algo que nunca acreditou conseguir imaginar

"Eu não posso acreditar nisto!", disse Alice. "Não pode?", disse a Rainha com pena. "Tente de novo: respire profundamente, e feche os seus olhos." Alice riu. "Não tem qualquer sentido tentar", disse ela:"não se pode acreditar em coisas impossíveis." "Eu ouso dizer que você não tem muita prática", disse a Rainha. "Quando eu era da sua idade, sempre praticava meia hora por dia. Algumas vezes, cheguei a acreditar em seis coisas impossíveis antes ainda do café da manhã."

LEWIS CARROL, "Alice do outro lado do Espelho"

Imagine que se sente em stress ou deprimido. Imagine que neste caso, por efeito de uma sugestão hipnótica eficaz, ou de uma visualização, em vez de continuar a refugiar-se no comportamento negativo habitual, que tanto o vem fazendo sofrer, espontaneamente, em si surge, num impulso profundo, uma vontade firme de fazer algo diferente, de fazer algo que até lhe dê prazer, como por exemplo ir passear, ver pessoas e lugares ou simplesmente ir à janela, sabendo que vai respirar fundo, sorrir, e que só com isso se vai sentir logo, distante daquele hábito, que tanto o tem feito sofrer, que se vai sentir bem melhor...a caminho da tranquilidade, da paz...

Imagine que tudo isto pode acontecer em pouco tempo. Como se tivesse aberto uma janela, uma porta, deixado a luz entrar numa parte de si há muito escura ou esquecida. Imagine que faz tudo isto como quem cuida de um jardim onde um dos canteiros precisa do seu cuidado. Imagine que faz tudo isto encontrando-se consigo próprio, com uma parte de si que necessita da sua atenção e de um diálogo consigo.

Imagine-se um observador calmo, tranquilo mas activo dos seus pensamentos. Como que dando um passo atrás na sua mente e perspectivando-os na sua verdadeira dimensão.

É isso que a hipnose e a auto-hipnose podem fazer pela sua vida.

Em si, e não sendo uma terapia, a hipnose usada em contexto clínico ou motivacional é uma forma eficaz de o indivíduo aceder a capacidades e recursos que possui.

Não estamos ainda num grau de evolução da espécie humana em que possamos pressionar um botão e sentirmo-nos calmos, energéticos ou motivados. Necessitamos criar esses "botões", esses mecanismos ou essas dinâmicas mentais, trabalhá-los e reforçá-los na nossa mente. Conseguimo-lo “limpando” a mente, relaxando profundamente e criando imagens que nos fazem accionar essas emoções ou esses estados.

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